sexta-feira, 7 de março de 2014

Pitty e Ivete : O Corpo é delas



Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, foram noticias dois eventos distintos que relacionavam duas cantoras baianas. A principio essa é a única semelhança elas ( serem cantoras baianas), pois Pitty e Ivete Sangalo têm carreiras bastante distintas. Enquanto a primeira saiu do cenário hardcore para mainstream pop/rock, a segunda é a grande musa do axé, queridinha dos programas de TV e das agências de publicidade. No entanto, nesta semana o discurso delas se encontrou, mantendo a distancia no estilo, mas muito próximo no sentido. 

Ivete Sangalo foi indaga por um repórter em pleno trio elétrico durante o carnaval em Salvador se estava grávida. Com o bom-humor que lhe é característico, Ivete deu um "tchu-tchu-pá" no repórter, deixando todos os jornalistas presentes desconcertados. A cantora chega a perguntar se o repórter " a comeu", diante da insistência no assunto. Indagada se queria ter outro filho, ela volta a rebater com bom-humor : "Quero ter outro filho, quero ter uma Ferrari, quero construir uma pista de neve na praia". Ivete 'wins'. 

No caso de Pitty, o tom foi mais sério. Em seu blog, ela criticou em especial as suas fãs, que fizeram comentários machistas sobre a cantora Anitta. Anitta, para quem não conhece ( será que alguém conseguiu ficar imune ao "Show das Poderosas"? ), é uma cantora de funk e que vem interpretando algumas músicas de Pitty em seus shows. Muitas fãs de Pitty comentaram de forma pejorativa a performace, chamando a funkeira de 'vulgar'  por 'mostrar o corpo'. Pitty, que conhece bem o feminismo, fez um chamado para o empoderamento do corpo feminino e afirmou para todas: Nosso corpo é nosso.

Por que ambas as situações, apesar de envolverem momentos, pessoas e falas diferentes, estão intrinsecamente ligados? Porque em ambos vemos uma reação à patrulha do corpo feminino. No caso de Ivete Sangalo, o fato de não estar "em forma" gera questionamentos. "Eu tenho barriga", falou Ivete em alto e bom som, tentando mostrar o óbvio. Perguntas sobre gravidez são extremamente invasivas,  pois os primeiros meses de gravidez são os mais delicados e muitas optam por não contar. Ou seja, quem deve escolher a hora de torna pública uma gravidez é a mulher ( ou o casal). Já com  Pitty/Anitta, o "mostrar o corpo" é comumente usado para desqualificar algumas mulheres. Aquelas que "não se dão valor", "não se dão respeito" e por aí vai. Em seu texto, tenta dosar a crítica, dizendo que muitas vezes os veiculos de comunicação vender a ideia de liberdade, mas transforma mulheres em "bibelôs", mas que ainda assim, a mulher tem o direito de se vestir e fazer o que quiser. 

Por isso a atitude de Pitty e Ivete, mesmo que sem querer, se cruzam e se tornam importantes na busca de romper com o patrulhamento do corpo feminino, seja ele estético ou moral. 




                                   Pitty - Desconstruindo Amélia do  DVD : "Trupe Delirante no Circo 





domingo, 15 de julho de 2012

José Augusto 'Sergipano', um ilustre desconhecido

Quem assim como eu nasceu nos anos 80, talvez até tenha ouvido falar no cantor José Augusto "Sergipano", mas a maioria com certeza não. Primeiro porque Sergipe tem um sério problema de memória e valorização de seus artistas, e segundo o artista em questão faz parte da linha de cantores tachados como "cafonas" ou "bregas". E como bem explicou Paulo Cesar de Araujo no seu livro "Eu não sou cachorro não: Música popular cafona e a ditadura militar" , os artistas que faziam sucessos populares entre os anos 60 e 70, foram jogados no limbo do esquecimento, tachados de alienados e alienantes e sequer constam em obras que estudam a música produzida no Brasil na época. Além de jogar luz nos cantores "bregas" , Paulo Cesar conseguiu mostrar que não foi apenas Chico Buarque e Caetano que foram perseguidos e censurados, a ala cafona da música brasileira também teve suas letras e músicos sobre os olhares dos militares. E ao contrario do que se pensa, também  fizeram música de resistência.
Sobre o José Augusto "Velho" como também é conhecido, sei pouco. Apenas que nasceu na cidade de Aquidabã/Se e que em sua carreira  gravou em torno de 22 Lps e mais de 200 músicas, seu nome rodou o Brasil e até países como  Argentina, Chile, Uruguai e outros onde foram gravados seus discos em castelhano. Levando em consideração que estamos falando de uma época sem internet, muito menos mp3 e que para se gravar um disco era algo pra poucos,  é de fato um grande feito. Josè Agusto morreu em 1981 em acidente automobilistico.
Estive em Aquidabã em 2010 quando era estagiário da Fundação Aperipê para a gravação de um videoclipe que por motivos que não vem ao caso, acabou não sendo finalizado. O clipe continha músicas que foram sucesso na voz de José Augusto. Lá pude conhecer pessoas que viveciaram o seu  sucesso, familiares e amigos. Na época cogitamos fazer um Especial Aperipê sobre ele, mas a ideia não foi a frente. Sinto que há uma certa injustiça com o José Agusto 'sergipano'.  Em 2011 fez 30 anos de sua morte e não recordo, nenhuma homenagem, nenhuma nota de jornal. Nada. Tudo isso por que ele era um cantor romantico 'brega' ? Ou seria por profundo desconhecimento, preguiça em pesquisar sobre a história da música sergipana?  Confesso que tenho uma grande curiosidade em sua historia  como na de outros artistas sergipanos que por motivos váriados estão esquecidos para a grande maioria, mas que estão vivos em alguma casa,  num velho toca disco, em fotagrafias amarelas e na memória dos populares.



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vai Vadiar !!

No famoso Aurélio, “vadiar” nada mais é do que “vaguear, levar a vida de vadio; vagabundear”. Um sujeito vadio, no mesmo dicionario, é “aquele que não faz nada; ocioso” ou ainda “um aluno pouco estudioso”. E vadia? Essa eu não encontrei no Aurélio, mas em um dicionario informal da web, o termo vadia é “geralmente utilizado para referenciar alguma mulher biscate, que gosta de chamar a atenção dos machos.” E talvez por essa denominação popular é que se tenha criado tanta polemica em torno da Marcha das Vadias, que se iniciou no Canadá em 2011, após um policial afirmar que, se as mulheres não quisessem ser estupradas, não deveriam se vestir como “vadias”. Desde então, a marcha se espalhou pelo mundo e enfim chegou a Aracaju.

Será que uma mulher com roupas mais curtas teria menos direitos do que uma supostamente mais “composta”? Uma mulher pode ser violentada por levar uma vida supostamente 'vadia'? E o que é ser vadia, nos dias de hoje? Mesmo com tantos casos de violência sofridos por mulheres dentro e fora de casa, é possível que ainda exista uma distinção entre mulheres de “casa” e da “rua”?

Contrariando esse tipo de argumento falso-moralista, uma das palavras de ordem na maioria das Marchas das Vadias é “Minha roupa não é convite”. Apesar da inspiração ter nascido no Canadá, aqui no Brasil temos um terrível histórico de violência contra mulheres e sua suposta 'vadiagem'. Quem não se lembra do caso Geisy Arruda, a estudante que foi obrigada a sair da faculdade escoltada pela policia? O crime: usar um vestido curto. Outro caso público, mais chocante ainda, aconteceu há menos tempo, em Queimadas- PB , onde 6 mulheres foram estupradas (duas delas mortas), sendo que os estupros seriam “presentes de aniversário” de um irmão para outro.
Mas a violência contra a mulher não pode ser considerada apenas no seu aspecto físico, mas também no lado psicológico. Em matéria para a revista TPM (Trip para Mulheres) de julho do ano passado, a publicitária Viviane Favery, 25 anos, dizia: “Acho invasivo aquele olhar de cão faminto que os homens dirigem a você. Não sou uma amostra grátis” .
Aceitar com normalidade a violência, seja ela verbal, psicológica ou física para com uma mulher, porque supostamente ela “deu condições”, é algo que deve ser repensado. “Quando alguém fala em estupro, a primeira coisa que se pergunta é: ‘Mas o que ela estava vestindo, onde ela estava, que horas eram?’” dizia Lola Aronovich na mesma edição da TPM. É disso que trata a Marcha das Vadias – da reafirmação do direito das mulheres em serem livres sem que isso lhe traga julgamentos ou violências. O nome choca? Sim, mas a violência contra a mulher deveria chocar muito mais.
Estamos num momento em que se torna cada vez mais difícil aceitar qualquer tipo de abuso ou machismo. Superar certos comportamentos, vistos como naturais, estão na pauta do dia. A marcha por si só não vai transformar a sociedade, mas já vem estimulando um debate sobre o assunto, movimentando as mídias sociais, as conversas nas faculdades. Isso já é um passo significativo para mudanças reais.
Por isso, nesta sexta, dia 1º, mulheres de todas as idades (e também os homens conscientes de seu papel nessa luta) estarão marchando, vadiando pelas ruas de Aracaju. Mostrando que se ser vadia é ser livre, somos todas vadias.
O que : Marcha das Vadias – Aracaju /SE
Onde: Praça da Catedral as 14h
Quando: 01/06 ( Sexta-feira)


                                       
Latuff deixando sua contribuição para a Marcha das Vadias Aracaju



cartazes produzidos pela Marcha das Vadias de Brasilia e que fizeram sucesso nas redes sociais 





Vídeo produzido pela Marcha das Vadias- DF

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Africanizando

O Brasil é um país que tem forte influencia Africana. Seja nos costumes, na comida, na música, no vestuário. Toda casa tem um pouco de África, dizia uma música do extinto grupo  pernambucano Sheik Tosado. No entanto isso não impede que nos deparamos com situações de preconceito racial. Em  2011 tivemos dois casos que tomaram projeção nacional e foram discutidos não só nas ruas, como nas já massificadas redes sociais. O primeiro foi o de  Jair Bolsonaro, deputado federal (PP-RJ), ao dizer num quadro do programa CQC da Band que não corria o risco de filhos namorarem mulheres negras por que eles foram "bem educados" e que não discutiria essa "promiscuidade". No outro caso, uma jovem que estagiava  em uma escola de São Paulo  foi convidada a alisar o cabelo, para "melhorar" a aparência. Como não aceitou a proposta, foi transferida do atendimento ao público para as funções de arquivo. A jovem prestou queixa depois do ocorrido. 
Por isso considero importante esta sempre reafirmando minha negritude e apoiando ações de valorização e respeito pela cultura afro. E foi com esse pensamento que aderi a campanha "Eu Africanizo Sergipe". A campanha  faz parte do festival  Wapi Brasil . A Wapi surge no Quênia e que significa ( Words and Pictures), ou seja, palavras e imagens. É um festival que segundo seus organizadores "é uma plataforma cultural para poetas, designers, MC's. dançarinos, grafiteiros, desenhistas, cartunistas, cantores e artistas envolvidos em qualquer arte visual e verbal, com ênfase na cultura afro-diasporica.". Neste ano foi realizado o primeiro Wapi Brasil em São Paulo com o tema "Eu africanizo São Paulo". Os MC's Marcos Santos e Anderson  Passos, mais conhecidos como Marcão e Hot Black, trouxeram a campanha pra Sergipe já vem movimentando as redes sociais com as fotos do "Eu Africanizo Sergipe". 
Na última sexta feira dia 23, eu e minha filha Maria Joana fomos fazer uma das fotos da campanha, no estúdio da tv Aperipê, juntamente com artistas e ativistas locais. Foi muito prazeroso fazer as fotos, claro que o fato de esta junto com Maria Joana era especial. Apesar de pequenina, sua desenvoltura foi elogiada por todos. Para mim era muito importante esta com ela,  são nesses pequenos gestos que vou ensina-la a importância da cultura negra para formação do nosso país, de ter orgulho da historias de Zumbi e  João Cândido, o respeito as religiões de matriz africana. E que nunca tenha medo de Africanizar, que espalhe um pouco de África por onde for. 

Confiram que já está "Africanizando Sergipe" 








quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sócrates ( 1954 -2011)

Sócrates é daquele panteão de jogadores que eu gostaria muito de ter visto jogar. Acho que essa sensação passa por todos os amantes de futebol com menos de 30 anos e que não tiveram a sorte de vê-lo junto com outros craques, principalmente os dos anos 80 que ainda circulam no nosso imaginário. Mas minha admiração por Sócrates é para além das quatro linhas. Ele não era um clichê ambulante, tão pouco ficava em cima do muro nos assuntos mais espinhosos ou na hora de assumir posições politicas. Era diferenciado dentro e fora de campo. Por isso tinha a admiração não só do torcedores corintianos, clube que defendeu por mais tempo e teve sua melhor fase. 
Desde da primeira vez que ouvi falar na Democracia Corintiana, fiquei imaginando como aqueles jogadores conseguiram aquilo, em plena década de 80, finalzinho de regime militar, num dos maiores clubes do Brasil. É de fato admirável. E quando disse que só ficaria no Brasil se as diretas fossem aprovadas? Não, não consigo vê isso nos jogadores de hoje. Além de ser um representante do jogador-boêmio, especie em extinção em tempos de patrulhamento politicamente correto. 
De domingo pra cá , foram muitas as homenagens, textos, reportagens para esse que foi um jogador admirado não só porque batia bem na bola, mas porque também era bom da cabeça e sabia pensar por si mesmo. Obrigado Doutor, por ter tornado o futebol mais bonito dentro de campo e menos chato fora dele. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

1987 - O ano que não terminou

1987 seria um ano comum no futebol brasileiro, se não fosse o ano em que os clubes se rebelaram contra a toda poderosa CBF. Só por isso já seria um ano marcante ,  pois pela primeira vez os chamados "grandes" clubes puxavam pra si a responsabilidade de organizar o campeonato nacional. Nascia o Clube dos 13 e com ele a Copa União, que prometia por em campo a crème de la crème do futebol nacional. O resto da historia todo mundo já sabe. Flamengo e Internacional campeão e vice da Copa União se recusam a disputar o quadrangular proposto ( ou seria imposto) pela CBF e Sport e Guarani se tornam campeão e vice brasileiro respectivamente para a entidade. Os anos passam, a discussão fica em banho-maria. Flamengo se considera Penta ( após ganhar o Brasileirão de 92), o Sport se diz o único campeão de 87 e CBF e o Clube 13 nada fazem de relevante para aparar as arestas. Uma discussão que parecia fadada a ficar na historia sem um final, se tornando quase que uma lenda. Seria, se o São Paulo não conquistasse o pentacampeonato brasileiro em 2007 e se auto titular "Penta único". E para acirrar ainda mais a discussão o Flamengo conquista o Brasileirão de 2009. Hexa ou Penta? Depende de como você vê a historia.
E para deixar o clima ainda mais tenso existe a tal "Taça de Bolinhas" uma taça criada pela Caixa Econômica Federal para premiar o time que fosse tricampeão brasileiro consecutivo ou penta alternado. Ela ficou guardada nos cofres da Caixa desde 92, quando o Flamengo conquistou o Brasileiro. A taça foi entregue ao São Paulo na semana passada e eis que nessa semana a CBF diz que sim, o Flamengo também foi campeão de 1987. 
Bom sobre todo esse imbróglio eu penso o seguinte : Primeiro que depois da unificação de tantos títulos nada mais justo que dividir o de 1987. Ok, o Sport Recife vai chiar, no entanto há de ser ter bom senso de que esse foi um episódio onde não houve consenso entre CBF e Clube dos 13 e se hoje não há mais rixa entre elas sobre o assunto, é natural que se chegue a essa decisão. Lembrando que essa era uma disputa política e não futebolística. 

Segundo que não podemos ver a atitude da CBF, na figura do todo poderoso Ricardo Teixeira como fato isolado ou um ato de bondade com a torcida rubronegra. O cara passou anos repetindo a ladainha que nada podia fazer pelo Flamengo, que a justiça não permitia e blá blá blá. No entanto em uma única reunião com a diretoria rubronegra ele dá a canetada. Estranho não? Assim como a unificação dos títulos brasileiros, reconhecer o Flamengo como campeão de 1987 é uma atitude visando apoio político, vem aí licitação sobre a concessão da transmissão do futebol, Copa do Mundo e etc.
Por fim o São Paulo já fala em duplicar a "Taça das Bolinhas", já que o Flamengo não abre mão de tê-la em sua galeria e há quem  vá mais longe e defenda que o Santos depois da unificação é quem deveria ficar com ela. De fato 1987 é um ano quem não acabou (ainda).

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Clip da Karne Krua - Massacre of Innoncence

Elogiar a Karne Krua é chover no molhado. A banda que completou 25 anos de historia, continua resistindo e fazendo muito barulho do bom. A direção do clip ficou por conta do Alessandro Santana mais conhecido como "Cabelo' e a música é Massacre of Innoncence do Discharge. Confira aí o porque a Karne continua viva, consciente e Krua.