terça-feira, 29 de julho de 2014

Censura em Detalhes ( ou o Rei está nu)


Enfim terminei minha leitura de um dos livros que com certeza estará nas listas de melhores do ano. “O Réu e o Rei”, lançando em junho deste ano por de Paulo César de Araújo, esmiúça uma das maiores polêmicas envolvendo o "rei da música" no Brasil, Roberto Carlos, e ele próprio, o réu, Paulo César. Com a obra, ele nos mostra como se tornou fã da música de Roberto Carlos, e posteriormente pesquisador e biógrafo do ídolo, ao escrever “Roberto Carlos em Detalhes”. Tudo estaria bem se o "rei" não tivesse entrado na justiça e, através de um bizarro acordo com a editora Planeta, ter conseguido tirar de circulação o livro. Mais de 10 mil exemplares estão na posse de Roberto Carlos e não se sabe o que ele fez com eles.

“O Réu e o Rei”, diferente do polêmico “Roberto Carlos em Detalhes”, não é um livro para fãs ou admiradores do cantor. Deve ser lido por todos. É mais que um relato de um julgamento, ou “a biografia do biógrafo”. É peça fundamental na discussão sobre liberdade de expressão no Brasil. Na contramão de diversos países, o Brasil hoje tem leis que permitem a censura prévia de obras biográficas, não apenas livros, mas também filmes, documentários e outros. Paulo César destrincha o processo sofrido por ele e mostra que "invasão de privacidade" e "uso comercial da imagem" não são argumentos tão fortes quanto parecem ser para quem reivindica a proibição de obras literárias ou cinematográficas de caráter biográfico. E que não houve nenhuma das duas situações em relação ao seu livro.

No entanto, o mais estarrecedor é ver como os advogados de Roberto Carlos conseguiram manipular o processo contra Paulo César, alterando termos, distorcendo trechos e transformando uma pesquisa séria em um livro de fofocas. Para piorar, a audiência conciliatória se mostrou ainda mais estranha, com o juiz ameaçando fechar a editora e tirando fotos com Roberto Carlos ao final da sessão. Só esses motivos já seriam suficientes para ser contra essa absurda proibição.


Procure Saber?


Porém não foi que pensaram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque quando incorporaram ao movimento “Procure Saber” a pauta de Roberto Carlos e assumiram uma inesperada postura contra as chamadas "biografias não-autorizadas". Mais do que preservação da privacidade, os artistas reclamavam sua fatia no bolo. Como se biografias fossem barris de petróleo. A repercussão foi tão negativa que o discurso teve que ficar mais brando e Roberto Carlos deixou os colegas sozinhos na

fogueira, abandonando o “Procure Saber”. Nunca um nome de entidade foi tão contraditório.

É de impressionar o nível de detalhamento e apuração do autor. Uma verdadeira aula para qualquer pesquisador, jornalista ou repórter. Assim como em seus trabalhos anteriores (“Eu Não Sou Cachorro, Não” e “Roberto Carlos em Detalhes”), a obra impressiona pela seu rigor com os dados e informações, pelo detalhamento e a ligações que consegue construir. Se tem algo de positivo em toda essa história, sem dúvida é esse livro. Por diversas páginas, ele consegue descrever seus mais de 20 anos de pesquisa sobre música popular brasileira, suas tentativas frustradas de entrevistar Roberto Carlos, enquanto conseguia entrevistar outros gigantes da nossa música (ficando amigo de nada mais nada menos que João Gilberto). É sem dúvidas uma história em detalhes.

Mudanças à vista

Em meio a toda essa polêmica envolvendo a disputa pela autorização ou não de obras biográficas, o Brasil conseguiu dar um importante (ainda que lento) passo. Em maio, pouco antes do lançamento do livro, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 393/1, a chamada Lei das Biografias, que altera o código civil e libera a publicação de "imagens, escritos e informações" biográficas de personalidades públicas, sem necessidade de autorização do biografado ou de seus descendentes. O texto ainda deve ser votado pelo Senado e, se aprovado, segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. Em novembro do ano passado o Supremo Tribunal Federal realizou uma audiência pública, afim de debater o assunto. O julgamento estava previsto para o primeiro semestre desse ano, mas até o momento não tem previsão.

Ou seja, ainda vamos esperar mais um pouco para que o Brasil possa construir sua história sem amarras, sem censura-prévia, sem reis tiranos que acham que podem controlar não apenas a história, como também a cultura.
                             
                                         Roda Viva com Paulo Cesar  de Araújo

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Uma boa derrota

Alemães comemoram. (  Foto: Jefferson Bernades/VIPCOMM)
Depois de ler diversas analises, crônicas e outros textos em geral, cheguei à conclusão que a derrota acachapante do Brasil para a Alemanha por 7 a 1, foi muito boa para nós. Não, não estou aqui evocando o ‘coxinhismo’ que assolou as redes pós-derrota e adentrou até no perfil de presidenciáveis. Falo do ponto de vista que enfim devemos aprender com a derrota. Nada de caça às bruxas, ou de vilões individuais.

Uma das coisas que deve ser sepultada junto com essa derrota é toda essa conversa de mística, pátria de chuteiras, de que o simples fato de ser brasileiro nos faz melhor que nossos adversários. Que o futebol-arte está no nosso DNA. Deixem isso para os cronistas e torcedores mais fánaticos. Não que o futebol não tenha o “imponderável”, aquela situação inesperada e que muda toda a rota do jogo. O Brasil já havia gasto sua cota de mística no empate contra o Chile. Não dá pra esperar em todos os jogos. Alguém pode dizer que foi assim que nos tornamos penta, é fato. Vencemos e construimos todos os mitos que nos rodeia, mas tínhamos craques de sobra e que hoje estão em falta.

É necessário se pensar a longo prazo. A preparação começou ano passado. A Copa das Confederações enganou muita gente. Todos os adversários que o Brasil bateu ano passado (Itália, Uruguai, Espanha) saíram mais cedo este ano. Não que a seleção escolhida por Felipão fosse extremamente ruim, mas era um time que visivelmente tinha dificuldade nas adversidades e pouca variação tática. A Copa tem mostrado que tática tem levado equipes medianas mais longe (como Costa Rica e Grécia) e se as equipes também tiverem técnica, podem ser campeãs (como Alemanha e Holanda). 

Essa não foi a primeira derrota marcante da seleção brasileira. Ainda hoje se fala de 1950, de 1982, 1998 e 2010.  A questão é que pra cada uma dela sempre culpamos alguém. É hora de exorcizar os mitos de Barbosa, Cerezo, Ronaldo e Felipe Melo. 

Infelizmente é dificil esperar uma mudança se os mesmos nomes continuam e continuarão no comando da CBF, dos clubes e Federações. E justamente por conta dessa falta de mudança não apenas de comando, mas de mentalidade, ideias, gestão é que hoje vivenciamos um dos períodos mais pobres de craques já visto em território brasileiro. 

Precisamos de menos técnicos defasados como Felipão e Parreira, menos holofotes como Luciano Huck de helicóptero no treino, menos arrogância nas coletivas de imprensa, menos ufanismo cego e nacionalismo de boutique. É mais planejamento, mais seriedade, mais tática aliada à técnica, menos mística e “Deus é brasileiro”. É preciso enfim aprender com a derrota.


Felipão mostra o placar para Bernard (Foto: David Gray/Reuters)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Diego Costa, as vaias e a seleção que nunca foi sua.



Não foram só as vaias e xingamentos à presidente Dilma Rousseff que tomaram conta das discussões acaloradas das redes sociais e das ruas. Outro incidente, dessa vez envolvendo um jogador brasileiro que se naturalizou espanhol, também ganhou destaque. Diego Costa, atacante do Atlético de Madrid, nascido em Lagarto, Sergipe, foi hostilizado sem dó nem piedade durante a estreia da seleção espanhola na Copa do Mundo 2014.  Talvez a derrota por 5 a 1 para Holanda tenha sido mais dolorosa que as vaias e xingamentos, mas com certeza ser perseguido em campo pelos torcedores brasileiros não deve ter sido nada agradável.  A pergunta é, por que esse ódio a Diego Costa? Por que ele não pode ter sua escolha respeitada?

A naturalização de jogadores de futebol para atuar em seleções que não são sua nação de origem não é uma prática nova. Imaginem o que fariam os torcedores que hoje vaiam Diego Costa com José João Altafini, o Mazzola, campeão pela seleção canarinho em 1958, que em 1962 defendeu as cores da Itália na Copa do Chile. Em tempos de linchamento e patriotismo seria melhor nem sair na rua.

Além de Mazzola, tivemos diversos outros casos de jogadores brasileiros que optaram jogar por outras seleções. Na maioria dos casos são atletas que tiveram pouca ou nenhuma chance na seleção brasileira. Foi assim com Ruy Ramos pelo Japão, Deco, Pepe e Liedson por Portugal, Cacau e Paulo Rink pela Alemanha, Amauri e Thiago Motta pela Itália, para ficar nos casos mais famosos.  A própria seleção da Espanha já tinha contado com outros brasileiros como Catanha e Marco Sena. Ou seja, não é de hoje que vemos atletas brasileiros buscando outras oportunidades lá fora.

Então, qual o pecado de Diego Costa? Na verdade, a convocação feita por Felipão em novembro de 2013 para os amistosos de Honduras e Chile causaram a tal celeuma. Antes disso, Diego havia sido convocado em março para os amistosos contra Rússia e Itália. Sua participação nesses dois jogos foi de apenas 35 minutos. Depois disso foram nove amistosos, sem contar a lista de convocados para Copa de Confederações, das quais  Diego Costa esteve fora.

Quando foi noticiado na imprensa que a Espanha faria um convite oficial a Diego, o antes esquecido foi pré-convocado semanas antes da lista oficial. Se havia tanto desejo em contar com o futebol de Diego Costa, por que ele teve tão poucas oportunidades? Sendo que Diego Costa vinha de ótima fase, diferente de outros atletas que tiveram mais oportunidades que ele (como Alexandre Pato, Jô  e Leandro Damião).

Felipão e Cristiano Ronaldo (Foto: Getty Imagens)
Diego Costa agradeceu a convocação, mas já tinha feito um acordo com Federação Espanhola. Foi ai que Felipão jogou ele aos leões. "Um jogador brasileiro que se recusa a vestir a camisa da Seleção Brasileira e a disputar uma Copa do Mundo no seu país só pode estar automaticamente desconvocado. Ele está dando as costas para um sonho de milhões, o de representar a nossa seleção pentacampeã em uma Copa do Mundo no Brasil", disse o técnico. Lembrando que Felipão treinou por quase seis anos a seleção de Portugal e foi responsável direto pela naturalização de Deco e Pepe. 

Com seu discurso, Felipão tachou Diego Costa de traidor, como se ele tivesse desistido da seleção brasileira. Mas foi a seleção brasileira que desistiu primeiro dele. Na verdade o futebol brasileiro já havia fechado as portas para ele, quando ele saiu de Lagarto para tentar a sorte na Europa. Ele não é o primeiro nem será o último. Em tempos onde os empresários mandam mais que muitos técnicos, se reconhecido pelo talento dentro de campo já faz parte do passado futebolístico.

Felipão, tempos depois, disse que o convocaria para a Copa. Será mesmo? Justamente na reta final para Copa do Mundo, Diego Costa sofreu com lesões e chegou a ser dúvida até mesmo na seleção Espanhola. E mesmo sem marcar nenhum gol e machucado foi convocado. Será que ele teria a mesma chance no Brasil, onde ele estaria brigando pela vaga com atletas que tiveram mais oportunidades que ele? Será que Felipão levaria um atleta em recuperação?

Além disso, Diego Costa era visto como uma aposta, ele teria que ganhar a confiança não só de Felipão e da sua comissão técnica, como passar pelo crivo de Galvão Bueno e toda imprensa esportiva, nem sempre amistosa com atletas que nunca atuaram em campos brasileiros. Ou não se lembram do que fizeram com Afonso Alves?


Diego Costa certamente será vaiado até o fim da participação da Espanha. Tem até ator global prometendo vaiá-lo na próxima partida no Maracanã. Se é verdade o que dizia Nelson Rodrigues que até o minuto de silêncio é vaiado no Maracanã, podemos imaginar que  Diego Costa não sairá ileso. Agora, quem acha que está fazendo um bem à pátria em vaiar e xingar Diego Costa, na verdade expõe  para o mundo sua ignorância. 



 Todos os gols de Diego Costa na última temporada 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Pitty e Ivete : O Corpo é delas



Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, foram noticias dois eventos distintos que relacionavam duas cantoras baianas. A principio essa é a única semelhança elas ( serem cantoras baianas), pois Pitty e Ivete Sangalo têm carreiras bastante distintas. Enquanto a primeira saiu do cenário hardcore para mainstream pop/rock, a segunda é a grande musa do axé, queridinha dos programas de TV e das agências de publicidade. No entanto, nesta semana o discurso delas se encontrou, mantendo a distancia no estilo, mas muito próximo no sentido. 

Ivete Sangalo foi indaga por um repórter em pleno trio elétrico durante o carnaval em Salvador se estava grávida. Com o bom-humor que lhe é característico, Ivete deu um "tchu-tchu-pá" no repórter, deixando todos os jornalistas presentes desconcertados. A cantora chega a perguntar se o repórter " a comeu", diante da insistência no assunto. Indagada se queria ter outro filho, ela volta a rebater com bom-humor : "Quero ter outro filho, quero ter uma Ferrari, quero construir uma pista de neve na praia". Ivete 'wins'. 

No caso de Pitty, o tom foi mais sério. Em seu blog, ela criticou em especial as suas fãs, que fizeram comentários machistas sobre a cantora Anitta. Anitta, para quem não conhece ( será que alguém conseguiu ficar imune ao "Show das Poderosas"? ), é uma cantora de funk e que vem interpretando algumas músicas de Pitty em seus shows. Muitas fãs de Pitty comentaram de forma pejorativa a performace, chamando a funkeira de 'vulgar'  por 'mostrar o corpo'. Pitty, que conhece bem o feminismo, fez um chamado para o empoderamento do corpo feminino e afirmou para todas: Nosso corpo é nosso.

Por que ambas as situações, apesar de envolverem momentos, pessoas e falas diferentes, estão intrinsecamente ligados? Porque em ambos vemos uma reação à patrulha do corpo feminino. No caso de Ivete Sangalo, o fato de não estar "em forma" gera questionamentos. "Eu tenho barriga", falou Ivete em alto e bom som, tentando mostrar o óbvio. Perguntas sobre gravidez são extremamente invasivas,  pois os primeiros meses de gravidez são os mais delicados e muitas optam por não contar. Ou seja, quem deve escolher a hora de torna pública uma gravidez é a mulher ( ou o casal). Já com  Pitty/Anitta, o "mostrar o corpo" é comumente usado para desqualificar algumas mulheres. Aquelas que "não se dão valor", "não se dão respeito" e por aí vai. Em seu texto, tenta dosar a crítica, dizendo que muitas vezes os veiculos de comunicação vender a ideia de liberdade, mas transforma mulheres em "bibelôs", mas que ainda assim, a mulher tem o direito de se vestir e fazer o que quiser. 

Por isso a atitude de Pitty e Ivete, mesmo que sem querer, se cruzam e se tornam importantes na busca de romper com o patrulhamento do corpo feminino, seja ele estético ou moral. 




                                   Pitty - Desconstruindo Amélia do  DVD : "Trupe Delirante no Circo 





domingo, 15 de julho de 2012

José Augusto 'Sergipano', um ilustre desconhecido

Quem assim como eu nasceu nos anos 80, talvez até tenha ouvido falar no cantor José Augusto "Sergipano", mas a maioria com certeza não. Primeiro porque Sergipe tem um sério problema de memória e valorização de seus artistas, e segundo o artista em questão faz parte da linha de cantores tachados como "cafonas" ou "bregas". E como bem explicou Paulo Cesar de Araujo no seu livro "Eu não sou cachorro não: Música popular cafona e a ditadura militar" , os artistas que faziam sucessos populares entre os anos 60 e 70, foram jogados no limbo do esquecimento, tachados de alienados e alienantes e sequer constam em obras que estudam a música produzida no Brasil na época. Além de jogar luz nos cantores "bregas" , Paulo Cesar conseguiu mostrar que não foi apenas Chico Buarque e Caetano que foram perseguidos e censurados, a ala cafona da música brasileira também teve suas letras e músicos sobre os olhares dos militares. E ao contrario do que se pensa, também  fizeram música de resistência.
Sobre o José Augusto "Velho" como também é conhecido, sei pouco. Apenas que nasceu na cidade de Aquidabã/Se e que em sua carreira  gravou em torno de 22 Lps e mais de 200 músicas, seu nome rodou o Brasil e até países como  Argentina, Chile, Uruguai e outros onde foram gravados seus discos em castelhano. Levando em consideração que estamos falando de uma época sem internet, muito menos mp3 e que para se gravar um disco era algo pra poucos,  é de fato um grande feito. Josè Agusto morreu em 1981 em acidente automobilistico.
Estive em Aquidabã em 2010 quando era estagiário da Fundação Aperipê para a gravação de um videoclipe que por motivos que não vem ao caso, acabou não sendo finalizado. O clipe continha músicas que foram sucesso na voz de José Augusto. Lá pude conhecer pessoas que viveciaram o seu  sucesso, familiares e amigos. Na época cogitamos fazer um Especial Aperipê sobre ele, mas a ideia não foi a frente. Sinto que há uma certa injustiça com o José Agusto 'sergipano'.  Em 2011 fez 30 anos de sua morte e não recordo, nenhuma homenagem, nenhuma nota de jornal. Nada. Tudo isso por que ele era um cantor romantico 'brega' ? Ou seria por profundo desconhecimento, preguiça em pesquisar sobre a história da música sergipana?  Confesso que tenho uma grande curiosidade em sua historia  como na de outros artistas sergipanos que por motivos váriados estão esquecidos para a grande maioria, mas que estão vivos em alguma casa,  num velho toca disco, em fotagrafias amarelas e na memória dos populares.



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vai Vadiar !!

No famoso Aurélio, “vadiar” nada mais é do que “vaguear, levar a vida de vadio; vagabundear”. Um sujeito vadio, no mesmo dicionario, é “aquele que não faz nada; ocioso” ou ainda “um aluno pouco estudioso”. E vadia? Essa eu não encontrei no Aurélio, mas em um dicionario informal da web, o termo vadia é “geralmente utilizado para referenciar alguma mulher biscate, que gosta de chamar a atenção dos machos.” E talvez por essa denominação popular é que se tenha criado tanta polemica em torno da Marcha das Vadias, que se iniciou no Canadá em 2011, após um policial afirmar que, se as mulheres não quisessem ser estupradas, não deveriam se vestir como “vadias”. Desde então, a marcha se espalhou pelo mundo e enfim chegou a Aracaju.

Será que uma mulher com roupas mais curtas teria menos direitos do que uma supostamente mais “composta”? Uma mulher pode ser violentada por levar uma vida supostamente 'vadia'? E o que é ser vadia, nos dias de hoje? Mesmo com tantos casos de violência sofridos por mulheres dentro e fora de casa, é possível que ainda exista uma distinção entre mulheres de “casa” e da “rua”?

Contrariando esse tipo de argumento falso-moralista, uma das palavras de ordem na maioria das Marchas das Vadias é “Minha roupa não é convite”. Apesar da inspiração ter nascido no Canadá, aqui no Brasil temos um terrível histórico de violência contra mulheres e sua suposta 'vadiagem'. Quem não se lembra do caso Geisy Arruda, a estudante que foi obrigada a sair da faculdade escoltada pela policia? O crime: usar um vestido curto. Outro caso público, mais chocante ainda, aconteceu há menos tempo, em Queimadas- PB , onde 6 mulheres foram estupradas (duas delas mortas), sendo que os estupros seriam “presentes de aniversário” de um irmão para outro.
Mas a violência contra a mulher não pode ser considerada apenas no seu aspecto físico, mas também no lado psicológico. Em matéria para a revista TPM (Trip para Mulheres) de julho do ano passado, a publicitária Viviane Favery, 25 anos, dizia: “Acho invasivo aquele olhar de cão faminto que os homens dirigem a você. Não sou uma amostra grátis” .
Aceitar com normalidade a violência, seja ela verbal, psicológica ou física para com uma mulher, porque supostamente ela “deu condições”, é algo que deve ser repensado. “Quando alguém fala em estupro, a primeira coisa que se pergunta é: ‘Mas o que ela estava vestindo, onde ela estava, que horas eram?’” dizia Lola Aronovich na mesma edição da TPM. É disso que trata a Marcha das Vadias – da reafirmação do direito das mulheres em serem livres sem que isso lhe traga julgamentos ou violências. O nome choca? Sim, mas a violência contra a mulher deveria chocar muito mais.
Estamos num momento em que se torna cada vez mais difícil aceitar qualquer tipo de abuso ou machismo. Superar certos comportamentos, vistos como naturais, estão na pauta do dia. A marcha por si só não vai transformar a sociedade, mas já vem estimulando um debate sobre o assunto, movimentando as mídias sociais, as conversas nas faculdades. Isso já é um passo significativo para mudanças reais.
Por isso, nesta sexta, dia 1º, mulheres de todas as idades (e também os homens conscientes de seu papel nessa luta) estarão marchando, vadiando pelas ruas de Aracaju. Mostrando que se ser vadia é ser livre, somos todas vadias.
O que : Marcha das Vadias – Aracaju /SE
Onde: Praça da Catedral as 14h
Quando: 01/06 ( Sexta-feira)


                                       
Latuff deixando sua contribuição para a Marcha das Vadias Aracaju



cartazes produzidos pela Marcha das Vadias de Brasilia e que fizeram sucesso nas redes sociais 





Vídeo produzido pela Marcha das Vadias- DF

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Africanizando

O Brasil é um país que tem forte influencia Africana. Seja nos costumes, na comida, na música, no vestuário. Toda casa tem um pouco de África, dizia uma música do extinto grupo  pernambucano Sheik Tosado. No entanto isso não impede que nos deparamos com situações de preconceito racial. Em  2011 tivemos dois casos que tomaram projeção nacional e foram discutidos não só nas ruas, como nas já massificadas redes sociais. O primeiro foi o de  Jair Bolsonaro, deputado federal (PP-RJ), ao dizer num quadro do programa CQC da Band que não corria o risco de filhos namorarem mulheres negras por que eles foram "bem educados" e que não discutiria essa "promiscuidade". No outro caso, uma jovem que estagiava  em uma escola de São Paulo  foi convidada a alisar o cabelo, para "melhorar" a aparência. Como não aceitou a proposta, foi transferida do atendimento ao público para as funções de arquivo. A jovem prestou queixa depois do ocorrido. 
Por isso considero importante esta sempre reafirmando minha negritude e apoiando ações de valorização e respeito pela cultura afro. E foi com esse pensamento que aderi a campanha "Eu Africanizo Sergipe". A campanha  faz parte do festival  Wapi Brasil . A Wapi surge no Quênia e que significa ( Words and Pictures), ou seja, palavras e imagens. É um festival que segundo seus organizadores "é uma plataforma cultural para poetas, designers, MC's. dançarinos, grafiteiros, desenhistas, cartunistas, cantores e artistas envolvidos em qualquer arte visual e verbal, com ênfase na cultura afro-diasporica.". Neste ano foi realizado o primeiro Wapi Brasil em São Paulo com o tema "Eu africanizo São Paulo". Os MC's Marcos Santos e Anderson  Passos, mais conhecidos como Marcão e Hot Black, trouxeram a campanha pra Sergipe já vem movimentando as redes sociais com as fotos do "Eu Africanizo Sergipe". 
Na última sexta feira dia 23, eu e minha filha Maria Joana fomos fazer uma das fotos da campanha, no estúdio da tv Aperipê, juntamente com artistas e ativistas locais. Foi muito prazeroso fazer as fotos, claro que o fato de esta junto com Maria Joana era especial. Apesar de pequenina, sua desenvoltura foi elogiada por todos. Para mim era muito importante esta com ela,  são nesses pequenos gestos que vou ensina-la a importância da cultura negra para formação do nosso país, de ter orgulho da historias de Zumbi e  João Cândido, o respeito as religiões de matriz africana. E que nunca tenha medo de Africanizar, que espalhe um pouco de África por onde for. 

Confiram que já está "Africanizando Sergipe" 








quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sócrates ( 1954 -2011)

Sócrates é daquele panteão de jogadores que eu gostaria muito de ter visto jogar. Acho que essa sensação passa por todos os amantes de futebol com menos de 30 anos e que não tiveram a sorte de vê-lo junto com outros craques, principalmente os dos anos 80 que ainda circulam no nosso imaginário. Mas minha admiração por Sócrates é para além das quatro linhas. Ele não era um clichê ambulante, tão pouco ficava em cima do muro nos assuntos mais espinhosos ou na hora de assumir posições politicas. Era diferenciado dentro e fora de campo. Por isso tinha a admiração não só do torcedores corintianos, clube que defendeu por mais tempo e teve sua melhor fase. 
Desde da primeira vez que ouvi falar na Democracia Corintiana, fiquei imaginando como aqueles jogadores conseguiram aquilo, em plena década de 80, finalzinho de regime militar, num dos maiores clubes do Brasil. É de fato admirável. E quando disse que só ficaria no Brasil se as diretas fossem aprovadas? Não, não consigo vê isso nos jogadores de hoje. Além de ser um representante do jogador-boêmio, especie em extinção em tempos de patrulhamento politicamente correto. 
De domingo pra cá , foram muitas as homenagens, textos, reportagens para esse que foi um jogador admirado não só porque batia bem na bola, mas porque também era bom da cabeça e sabia pensar por si mesmo. Obrigado Doutor, por ter tornado o futebol mais bonito dentro de campo e menos chato fora dele. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

1987 - O ano que não terminou

1987 seria um ano comum no futebol brasileiro, se não fosse o ano em que os clubes se rebelaram contra a toda poderosa CBF. Só por isso já seria um ano marcante ,  pois pela primeira vez os chamados "grandes" clubes puxavam pra si a responsabilidade de organizar o campeonato nacional. Nascia o Clube dos 13 e com ele a Copa União, que prometia por em campo a crème de la crème do futebol nacional. O resto da historia todo mundo já sabe. Flamengo e Internacional campeão e vice da Copa União se recusam a disputar o quadrangular proposto ( ou seria imposto) pela CBF e Sport e Guarani se tornam campeão e vice brasileiro respectivamente para a entidade. Os anos passam, a discussão fica em banho-maria. Flamengo se considera Penta ( após ganhar o Brasileirão de 92), o Sport se diz o único campeão de 87 e CBF e o Clube 13 nada fazem de relevante para aparar as arestas. Uma discussão que parecia fadada a ficar na historia sem um final, se tornando quase que uma lenda. Seria, se o São Paulo não conquistasse o pentacampeonato brasileiro em 2007 e se auto titular "Penta único". E para acirrar ainda mais a discussão o Flamengo conquista o Brasileirão de 2009. Hexa ou Penta? Depende de como você vê a historia.
E para deixar o clima ainda mais tenso existe a tal "Taça de Bolinhas" uma taça criada pela Caixa Econômica Federal para premiar o time que fosse tricampeão brasileiro consecutivo ou penta alternado. Ela ficou guardada nos cofres da Caixa desde 92, quando o Flamengo conquistou o Brasileiro. A taça foi entregue ao São Paulo na semana passada e eis que nessa semana a CBF diz que sim, o Flamengo também foi campeão de 1987. 
Bom sobre todo esse imbróglio eu penso o seguinte : Primeiro que depois da unificação de tantos títulos nada mais justo que dividir o de 1987. Ok, o Sport Recife vai chiar, no entanto há de ser ter bom senso de que esse foi um episódio onde não houve consenso entre CBF e Clube dos 13 e se hoje não há mais rixa entre elas sobre o assunto, é natural que se chegue a essa decisão. Lembrando que essa era uma disputa política e não futebolística. 

Segundo que não podemos ver a atitude da CBF, na figura do todo poderoso Ricardo Teixeira como fato isolado ou um ato de bondade com a torcida rubronegra. O cara passou anos repetindo a ladainha que nada podia fazer pelo Flamengo, que a justiça não permitia e blá blá blá. No entanto em uma única reunião com a diretoria rubronegra ele dá a canetada. Estranho não? Assim como a unificação dos títulos brasileiros, reconhecer o Flamengo como campeão de 1987 é uma atitude visando apoio político, vem aí licitação sobre a concessão da transmissão do futebol, Copa do Mundo e etc.
Por fim o São Paulo já fala em duplicar a "Taça das Bolinhas", já que o Flamengo não abre mão de tê-la em sua galeria e há quem  vá mais longe e defenda que o Santos depois da unificação é quem deveria ficar com ela. De fato 1987 é um ano quem não acabou (ainda).

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Clip da Karne Krua - Massacre of Innoncence

Elogiar a Karne Krua é chover no molhado. A banda que completou 25 anos de historia, continua resistindo e fazendo muito barulho do bom. A direção do clip ficou por conta do Alessandro Santana mais conhecido como "Cabelo' e a música é Massacre of Innoncence do Discharge. Confira aí o porque a Karne continua viva, consciente e Krua.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Reescrevendo a historia do Brasileirão

A CBF ( Confederação Brasileira de Futebol) resolveu agradar a gregos e baianos e unificou todos os títulos pré campeonato brasileiro de 71 dando um belo presente de natal paras as torcidas do Santos, Palmeiras, Bahia, Botafogo, Cruzeiro e Fluminense. A unificação pode parecer algo simples, mas deixa ainda mais confusa a historia do nosso futebol, comprovando mais uma vez que organização nunca foi o nosso forte. Exemplo, o Palmeiras foi campeão em 67 da Taça Brasil e do Robertão que eram campeonatos distintos, trazendo pra atualidade era como se o Palmeiras ganhasse a Copa do Brasil e o Brasileirão. Agora com a unificação o Palmeiras é Bicampeão brasileiro no mesmo ano. Só havia visto algo parecido no não menos desorganizado campeonato carioca, que em 79  realizou  dois campeonatos e Flamengo de Zico ganhou os dois. Já em 1968 teremos dois campeões com Santos e Botafogo, o primeiro campeão do Robertão e o segundo campeão da Taça Brasil. 
Para alguns comentaristas de futebol apenas o Robertão que foi disputado de 1967 a 69  e a Taça de Prata de 1970 é que deveriam entrar na conta, porque a organização destes campeonatos está muito mais próximo do que chamamos de campeonato brasileiro. Já a Taça Brasil equivaleria a Copa do Brasil, pois sua organização lembra muito a da competição atual, em ambas os campeões estaduais do Brasil é principal critério de disputa, além de que a Taça Brasil tinha um número de jogos bem reduzido, o Santos precisou de apenas 4 jogos em cada ano para vencer os campeonatos de 63 e 65. Há quem discorde totalmente da unificação, por todos os motivos já citados. 
Alguns falam que a CBF demorou a fazer a unificação, mas é bem verdade que pouca gente questionava o fato desses titulo não terem sido integrados ao atual Brasileirão. Os próprios clubes que são maiores beneficiados só se mobilizaram o ano passado, quando construíram um dossiê e entregaram a CBF pedindo a analise e requerendo a unificação dos títulos. O que causou estranheza mesmo foi a rapidez com que a CBF analisou o caso, pediu 60 dias para analisar a proposta, porem em menos de uma semana já divulgava que iria unificar. A impressão que ficou é que Ricardo Teixeira quis fazer uma média e que não houve critérios para essa unificação. O fato dessas competições terem sido o embrião do que chamamos campeonato brasileiro, não faz com que elas tenham o mesmo peso. 
Bom já que a unificação, concordando ou não, vai sair mesmo o jeito é ir agora e correr para os arquivos e atualizar os ranking de jogos, gols, artilheiros e começar a reescrever a historia do Brasileirão. 


Veja os títulos que a CBF vai passar a contar na lista de campeões nacionais
Taça Brasil

1959 – Bahia
1960 – Palmeiras
1961 – Santos
1962 – Santos
1963 – Santos
1964 – Santos
1965 – Santos
1966 – Cruzeiro
1967 – Palmeiras
1968 – Botafogo
Torneio Roberto Gomes Pedrosa / Taça de Prata

1967 – Palmeiras
1968 – Santos
1969 – Palmeiras
1970 – Fluminense

sábado, 11 de dezembro de 2010

Brasileirão 2010 : E aí , foi bom pra você?


O campeonato Brasileiro de futebol chegou ao fim na semana passada e nada mais justo que fazer um pequeno balanço do "maior campeonato de futebol do planeta".

Pontos Corridos : a antiga novela

O futebol brasileiro pode ser um dos melhores do mundo, no entanto  é ( ou foi )  um dos mais desorganizados do planeta. Por trinta anos nunca tivemos uma formula definitiva para o campeonato, isso mesmo, ano a ano, a forma de disputa era modificada, os critério de participação variavam, principalmente por questões políticas.O Brasileirão de 79 por exemplo teve 96 clubes. Por anos se falou na aplicação dos pontos corridos, um campeonato mais justo, que premiaria de fato os melhores clubes e etc. E eis que os pontos corridos chegaram e com ele uma definição de disputa, enfim uma guinada para organização. Porém nem todos estão satisfeitos com os pontos corridos, principalmente as empresas de comunicação. A volta do mata-mata formula antecessora dos pontos corridos ainda é preferência paras as redes de telecomunicações que transmitem o Brasileirão. E desde do inicio dos pontos corridos em 2003 é notório a tentativa de desqualifica-lo. Primeiro tentaram dizer que o campeonato ficaria chato, pois o time que estivesse melhor dispararia na frente sem chances para os demais, quando o campeonato ano após ano vem mostrando o contrario, entrou em cena as malas brancas, pretas, o debate sobre entrega de jogos. Tudo para tentar dizer que o mata-mata é melhor e até mesmo mais ético que os pontos corridos.

Flu bi ou seria tri ?

O futebol é realmente uma caixinha de surpresas, no ano passado diversos torcedores do tricolor carioca se apressaram em dizer que o Flamengo não era hexacampeão, pois o fatídico campeonato de 1987 para CBF foi vencido pelo Sport. Bom não vou aqui trazer essa longa historia de volta, porém é interessante vê a torcida do Fluminense gritar que é tricampeão brasileiro, contabilizando um título que pasmem, não é reconhecido pela entidade máxima do futebol nacional. A CBF só contabiliza como campeonato brasileiro somente os campeonatos organizados a partir de 1971.

Gringols 

Os melhores jogadores do Brasileirão são argentinos ( Conca e Montilho) e vários destaques do campeonato foram gringos, Loco Abreu, D'Alessandro, Viáfara. E nos últimos anos tem sido assim, Pet em 2009, Tevez em 2005. O que há com brasileiros? A verdade é que perdemos a formação do craque, do camisa dez, do cara que vai lá e desequilibra. A grande esperança  é Ganso, que fez um grande primeiro semestre e que acabou se lesionando no meio do ano.

Decepções

Palmeiras e Flamengo foram sem dúvida as grandes decepções desse Brasileiro. O primeiro contratou Felipão, trouxe velhos ídolos como Kleber e Valdivia e não conseguiu nem chegar a Libertadores. Ainda perdeu na semifinal da Sulamerica para o rebaixado Goiás.  O Flamengo de campeão brasileiro em 2009, este ano ficou  na parte baixa da tabela durante quase todo o campeonato e terminou em 14º. Tentaram jogar a má fase no famigerado "Caso Bruno" , mas o tempo mostrou que a falta de planejamento e organização e contratações que não vingaram foram as principais causas do fracasso rubro-negro. O primeiro ano de gestão de Patricia Amorim na presidencia do Flamengo foi de fato pra esquecer. Quem também deve querer esquecer o Brasileirão de 2010 é o Vitória, pois foi rebaixado enquanto o Bahia seu maior rival garantia o retorno a elite.

Destaques e Revelações

Apesar dos gringos estarem deitando e rolando no Brasileirão, surgiram alguns destaques nesse campeonato que podem dar muitas alegrias aos seus clubes nos próximos anos ( não, não estou falando de uma transferência milionária para Europa). Bruno Cesar do Corithians, Lucas do São Paulo, Diego Mauricio do Flamengo, Giuliano do Inter, esses são alguns que eu lembro e que eu torço que fiquem no Brasil por um bom tempo.  Jonas do Grêmio de pior atacante do mundo se tornou o artilheiro do campeonato. O Grêmio foi um dos destaques do campeonato, dando uma arrancada meteórica com o comando de Renato Gaucho das últimas posições para Libertadores.

Conca. Conca, Conca

Conca foi o cara. Disputou todas as partidas, fez gol, deu passes importantes. O titulo do Flu deve muito a ele. A vitória dele me faz me sentir esperançoso para que os clubes no Brasil vejam a importância de ter um craque que desequilibre no meio de campo.

O monstro Neymar

Ele pode não ter sido campeão ou craque do campeonato, mas esse Brasileirão foi o de afirmação do Neymar como um monstro do nosso futebol, no bom sentido viu Renê Simões?

Centenário Maldito

O Brasileirão chegou ao fim e ratificou o "Centernada" Corinthiano . Apesar de todas as piadas com o "bando de loucos" o Corinthians não chegou a fazer feio no campeonato, sempre esteve entre os lideres e o titulo lhe escapou no empate com Vitória nas últimas rodadas.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Gregory Isaacs ( 1951-2010)




Night nurse 
Only you alone can quench this Jah thirst 
My night nurse, oh gosh 
Oh the pain it's getting worse


Na última segunda feira 25/10 em Londres, morreu um dos grandes nomes do reggae mundial: Gregory Issacs. O "Cooll Ruler" (Calmo Soberano) ficou famoso fazendo um reggae com base em  letras românticas, o chamado "lovers rock". Seu albúm de maior sucesso foi "Night Nurse" de 1982, onde a faixa que dá título ao albúm bombou em todo mundo. Gregory também fez uma participação no famoso filme jamaicano "Rockers". Ele fez show em Aracaju no inicio dos anos 00 quando esteve em turnê pelo nordeste brasileiro , show esse que não recordo porque não fui.  Aos 59 anos o velho rasta foi vencido pelo câncer de pulmão. 






sábado, 16 de outubro de 2010

Eleições 2010. Vitória dos conservadores


O segundo turno da eleição para presidente do Brasil ainda não ocorreu, no entanto já temos um vencedor. Não, não estou falando de um dos candidatos, falo do conservadorismo que ambos abraçaram em suas campanhas para chegar a vitória. Em abril deste ano a revista Caros Amigos fez uma edição especial, com a seguinte capa : A Direita: continua forte, ataca e morde. Alguém poderá dizer que é um exagero ou paranóia, já que é cada vez mais difícil definir o que é direita ou esquerda ( em se tratando das campanhas eleitorais dos chamados "grandes partidos"), porém é inegável que as forças conservadoras no Brasil ainda ditam as regras do jogo.
Se o primeiro turno foi marcado por debates de gestores e não de projetos políticos, a disputa entre PT e PSDB descambou pra ataques e discursos cada vez mais conservadores. O principal deles foi a questão do aborto. Primeiro se acusou que a candidata do PT era favorável ao aborto ( sem lembrar que no primeiro turno ela foi chamada de terrorista)  e isso desencadeou uma série de correntes de e-mail e até o pedido de um padre da rede fundamentalista cristã Canção Nova de que seus fieis não votassem em Dilma Rouseff. Até site ensinando como divulgar que o PT é favorável ao aborto, através de Twitter, e-mail, materiais impressos e outras redes sociais. Sobrou até pra Lula que foi chamado de novo "herodes". E claro, rendeu capa pra Veja.
Quando todos esperavam que o PT manteria sua postura mais progressista, ou pouco que lhe restava de progressismo, eis que a candidata Dilma, assina uma carta de compromisso com igrejas e políticos evangélicos que integram a Frente Parlamentar Evangélica , garantindo que nada que possa ferir os  valores da familia brasileira serão aprovados, isso incluem além do aborto, casamento gay e adoção por casais homoafetivos. Um soco no estômago de simpatizantes e militantes do PT que passaram as últimas semanas chamando Serra e seus eleitores de conservador, fascista e etc. Ok, o texto é genérico em boa parte dele, não deixa explicito o que pode ou não ser aprovado,  no entanto  a partir do momento que o PT  retrocede no discurso e aceita assinar carta de compromisso com evangélicos, esquece dos setores feministas e LGBT que sempre estiveram com o partido e cai na vala comum do vale-tudo feito para ganhar eleições.
Essa não foi a primeira vez que o PT recuou diante da gritaria de setores mais conservadores. No final do ano passado quando o governo apresentou o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, mesmo sendo apenas um programa de intenções do governo, sem força de lei o PNDH-3 teve que ser revisto. O dizia o PNDH-3?  a legalização do aborto, aprovação do casamento entre homossexuais, a não ostentação de objetos religiosos em espaços da União, taxação das grandes fortunas previsto na constituição, formação de uma comissão para investigar e punir os crimes realizados pelo Estado durante a ditadura, dentre outros assuntos. A Igreja, Forças Armadas, o agronegócio e setores da grande mídia , bateram no governo até Lula assinar as mudanças. Quando se espera enfrentamento a setores atrasados e fazer de fato valer a democracia, o PT dá pra trás e em nome da tal "governabilidade" e quando tem uma nova oportunidade de fazê-lo, um novo retrocesso.
Mesmo que se confirme a vitória de Dilma neste segundo turno, os conservadores é que foram os grandes vencedores e pelo visto por muito tempo continuarão sendo.